Falta de antibióticos atinge 80% das farmácias de Palmas e preocupa profissionais da saúde

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Também há falta de outros medicamentos, como a dipirona. Situação preocupa porque nem todos os antibióticos podem ser substituídos por outros medicamentos com a mesma eficácia. Mais da metade das farmácias de Palmas estão com falta de antibióticos
Moradores estão enfrentando dificuldades para encontrar antibióticos nas farmácias de Palmas nos últimos meses. Segundo levantamento do Conselho Regional de Farmácia, 80% dos estabelecimentos apresentam falta de alguns remédios. A situação preocupa os profissionais da saúde e a população.
A diarista Diviniana Ferreira diz que é só o tempo mudar para os filhos de 12 e 13 anos ficarem com problemas respiratórios. O que mudou agora, é que os remédios que eles costumavam tomar, não estão mais disponíveis.
“Eles nem indicam mais amoxicilina porque antigamente a gente usava e era muito bom, resolvia rápido. Agora eles estão dando ibuprofeno ou cefalexina, mas amoxicilina nem indica porque não encontra mais, não acha mais”, lamentou a diarista Diviniana Ferreira.
Em uma das farmácias, no centro de Palmas, alguns antibióticos de uso infantil estão em falta há pelo menos três meses. “Por exemplo, a dipirona xarope, que não é antibiótico, mas é um medicamento muito utilizado para febre e dores está em falta há mais de três meses. Os antibióticos amoxicilina e amoxicilina com clavulanato estão em falta há dois meses”, contou o farmacêutico Rafael Botelho.
Antibióticos estão em falta em farmácias de Palmas
Reprodução/ TV Anhanguera
A situação preocupa porque nem todos os antibióticos podem ser substituídos por outros medicamentos com a mesma eficácia.
“Se faltar no mercado, como tem acontecido, o que vai acontecer a gente vai abrir mão desse antibiótico de primeira escolha e vai passar para os antibióticos de segunda escolha. São aqueles que atingem um expectoro maior, que é mais forte. Só que quando precisar dele para uma bactéria mais forte talvez ele não venha mais fazer efeito. Essa é a nossa preocupação”, disse a médica pediátrica Ana Mackartney de Souza Marinho.
Os fabricantes disseram que faltam os insumos para produção. Segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), quase 95% dos medicamentos no país dependem de matéria-prima que vem principalmente da China, que teve as exportações afetadas porque está mais uma vez em lockdown para conter uma nova onda de casos de Covid. Também há impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia, Maykon Paiva, não há previsão de quando isso poderá se resolver.
“É um problema porque a gente acaba trazendo essa situação em cadeia. Se atinge o paciente, atinge a logística, a unidade hospitalar, o médico. Uma coisa está interligada a outra […] Ainda não existe uma previsão exata de quando será restabelecido porque a gente está tratando de medicamentos, então tratamos de matéria prima, logística, disponibilidade de material”, explicou.
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Fonte: G1 Tocantins